Senta do meu lado e me faz companhia
Como se tu pudesse estar junto comigo
Me deixa contar o meu dia
Faz tanto tempo que não conversamos e há tanto pra contar
Nesse emaranhado de acontecimentos e sentimentos
Tantas vezes me perdi e tentei me achar em um mapa
Esqueci tanto de olhar pra dentro e te buscar dentro de mim
Esqueci que ninguém poderia me entender melhor que tu, luz da minha fonte de sentimentos
Que, desde meu tempo de águas rasas, projetou meu reflex ao longe
E deixou que o meu choro tão acanhado fosse captado pelo mundo
Deixa-me sentir teu peito e dizer que sou teu
Me deixa atar os laços que a tanto estão desatados
E imaginar que este distanciamento não aconteceu
Sentir a tua presença como a fonte de vida
E sem qualquer motivo ou razão, sentir este momento contigo
Esquecer que temos realidades e deveres morais
Somente sentir aquilo que nos une e que está além do que podemos entender
Eu queria tanto saber como tu tá
Porque queria que tu estivesses de alguma forma
Porque esse vazio de um fim só me deixa desprotegido
Perdi o contato contigo e logo comigo mesmo
Andei por becos sem destino e sem olhar pra frente
Tentando entender o escuro sem uma luz
E criar imagens de amor onde minha visão só via o preto
Quando hoje busco os beijos e os carinhos
Em imensa parte estou te procurando
A falta do teu conforto me impede de ver o próprio sexo
Como posso implorar que tu esteja comigo?
A quem devo implorar?
Já nestas últimas linhas, sei que imploro a mim mesmo
E à força que te cria como parte-base do meu eu
Teu filho e semente viva
Marcel Nascimento 25/06/2012 18:10
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Os três epitáfios
Don Quixote! Que entre paixões e valentia, abraço ou mundo com os tentáculos da loucura e viveu com bravura os sonhos utópicos que os acomodados jamais viverão.
Dulcinéia! Que aos olhos do mundo é gordinha, aos olhos de quem a amou louca e lucidademente, foi o mais belo perfume exalado pelas lágrimas do amor.
E eu, Sancho Pança! Amante dos que amam e anjo do sonho dessa gente que teve a graça e a ousadia de se entregar de fato à vida.
Marcel Nascimento 21/06/2012 16:00 - Parte do texto escrito para as cenas do Recital da Lizandra em 23/06
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Pai
Vem com o olhar repreensor
Com as palavras duras
Busca o melhor que pensou
E sem muitas censuras
Conta o que tu já ousou
E me acolhe com amor
As lágrimas que não saem
Também são minha imaginação
Mas me cuida como parte tua
Me tem como criação
Como parte viva de tanto zelo
E em uma rigidez quase crua
Mostra que não és por acaso
Que com vergonha me afasto
Pois a perda seria cruel
Talvez além do que imagino
Mas além disso, me dás tino
Pra suportar esta angustia
De não conseguir te abraçar
E apenas em versos me faz chorar
Por sentimento e não por falta de astúcia
Por admirar-te e gostar e ti
E com toda ceticidade
Em meu inconsciente da liberdade
Imaginar-te como meu destino
Marcel Nascimento 21/06/2012 23:46
Altos e baixos
Venham meus fantasmas do passado
Tragam-me a esperança de viver mais um dia
Lembrem-me do que aprendi, lembrem-me do que vivi
Espalhem pelo ar as lágrimas que uma dia caíram no chão
Deixem-me sentir o cheiro delas
É isso que vai me fortalecer ao abraçar a glória
E também quando eu respirar fundo pra reconhecer a beleza
de cada dia
Pinta nas paredes a tua escuridão e me assombra
Espanta-me com essa tua nebulosidade
Pois, no fundo, sei que tu ri pra mim
Enquanto eu me abracei na dor tu de fortaleceu
E agora que subo ao alto novamente, com sorriso
Tu te pões embaixo de mim e me ergue
Ajuda-me a sentir estes picos, me faz vivo mais uma vez
Marcel Nascimento 21/06/2012 23:30
O cheiro do hoje
Abro a porta e vejo o dia que amanhece
É mais um como todos os outros
Mas uma pitada de tempero paira no ar
Como sentir o odor de carne de panela e salivar sem saber
o que é
Como sentir um perfume que desperta tesão sem saber de
onde vem
É estar quase dormindo e sentir o conforto do beijo da
mãe, sem saber o que é
Corro de braços abertos, coração palpitando, mente
apreensiva, sentimentos alertas
Saio na rua andando maciamente, disfarçando esta
inquietude
Sei bem o que quero, não sei o que vejo, sei que quero o
que vejo, mas não sei se vejo
Os rastros se perdem facilmente e o paladar nos diz algo
a cada dia
Não somos os mesmos, por que esperar que nossos
sentimentos sejam
Marcel Nascimento 21/06/2012 23:19
Futuro Cigano
O passado me sorriu e piscou o olho
Soprou sua ironia nem tanto sutil
Com olhares de dúvida, colocou o baralho sobre a mesa e
pediu que eu tirasse uma carta
Estava eu ali em sua tenda cigana
Cheirando aquele mesmo incenso de eucalipto queimado
Cheiro duvidoso, que pode me lembrar de um incêndio e o
perfume que eu mais gosto de usar
Ele estende sua mão enrugada e pede a minha
Aquele sorriso eu já conheço, aberto de ponta a ponta
O sorriso previsível da imprevisibilidade, ah que
engraçado
A ponta do seu dedo faz cócegas sobre as linhas da minha
mão
Pergunto o que ele está lendo e ele não me diz
Não quer roubar de mim a graça da descoberta
Só quer buscar com aqueles dedos finos, longos e mornos a
memória do meu destino
Não se importa com meu ceticismo
Ele é eu e eu o criei
Ele é o vento que bate na minha porta e a faz vibrar
É o personagem que eu mesmo crio com minhas lembranças
Ainda assim, tem seu charme
Pois, o dia que este charme for perdido
Eu terei me perdido dentro de mim e me sentirei morto
Marcel Nascimento 21/06/2012 23:15
domingo, 17 de junho de 2012
Antes e hoje
Antes me foi dúvida e medo
Hoje me é um fio de amor que eu puxo
Antes tu me abraçou e me fez sentir confortado
Hoje me faz sentir feliz, em casa
Antes te olhava com alegria e pena de não retribuir
Hoje de olho com admiração e retribuo o que fica oculto
Antes teus abraços me prendiam e sempre me faziam querer ficar mais
Hoje eles me fazem querer ficar pra sempre e é por isso que fujo deles
Porque antes eu te tinha e não conseguia te querer
E hoje ainda nos queremos não podes me ter
Isso me dói e fugir é uma opção
Porque tu optou não estar comigo
E não quero ser quem assopra essa fumaça e espera fogo
Não quero te gerar mais dúvida e me gerar mais expectativa
Só andaria nessa corda bamba se eu conseguisse ver onde ela está amarrada
Sim, eu quero me arriscar de olhos vendados
Mas não quero fazer isso sentindo o cheiro que não é nosso
E te abraçar sabendo que há algo de contido ali
Te amar sabendo que tu não pode receber parte desse amor
Ser o pedaço, ser escondido, ser oculto
Eu quero ser teu, mas não agora
Marcel Nascimento 17/06/2012 12:46
sábado, 9 de junho de 2012
A valsa da Bohème
A mão do pianista convidou o piano para dançar uma valsa
O convenceu que agora não era mais um intrumento de percussão
E entre as melodias entrelaçadas de Puccini criou um entrada sensual
Agora estendia o tapete vermelho para da dama ousada se fazer cobiçada
Abraçou aquela voz leve e ainda escura
Deslisou com ela dentre as linhas do libretto que agora era embalado
Os pingos de SI natural caem como gotas no chão do bar-café
Instigaram os ouvidos da moça
Naquele legato suspirante, agora ela alça sua voz com graça, como que um balanço infinito
"La gente sosta a mira"
Até que o último SI Natural seja uivado, quase como um orgasmo egocêntrico
O barítono abraça aquela melodia com alegria
E naquela felicidade, dispensa o fato de que foi feita pra soprano
Ele e a melodia rolam na grama e também uivam, nota por nota
Pra que se preocupar com o mundo quando se pode cantar para ele?
O amor é viral
E agora aquelas teclas que timidamente estenderam a mão ao pianista
Contagiaram a todos e não há mais volta
Atirei o pau no gato
Joquei sobre ti o que nem eu mesmo tinha pra te dar
Ainda assim isso não superou tua incapacidade de ver o amor
Eu mesmo me admirei, me questionei e por fim me culpei
Em como pude gostar de quem, de forma áspera, me queria sem me querer
Me abraça
Disfarça que me ama pra enganar o mundo e a ti mesmo
Sem poder evitar, faz disso um amuleto pra me amar ainda mais
Jura na minha frente que não há mais nada de mim em ti
E nas palavras debochadas das letras de uma música, me diz com toda timidez ousada que tu não me esqueceu
Abraça minha imagem secretamente, por que no fundo ainda somos um do outro
Marcel Nascimento 09/06/2012 03:27
sexta-feira, 8 de junho de 2012
O violão
Vejo nas cordas do violão o canto ensangüentado de amor
Chorando e suspirando melodias do sentimento pedido e encontrado
Ecoando dentre as paredes de si mesmo
E implorando ao mundo sua intenção
Na voz que acompanha, a paixão escancarada
O desejo de idolatrar retorcido e destorcido
O choro de quem ama e busca
A paixão dos olhos interiores
O suspiro doce e rebelde
Ouve a beleza a vida que chama
Atende o desejo do coração
Não se preocupa que as coisas venham
Vai até elas e busca o que esta dentro
Tira o lençol de cima da dor da perda
Coberta como um cadáver esquecido
Reprimida, ignorada e por vezes odiada
Toca o violão de novo e agora conta pra ele que tu chora
Ouve a vida e toca o violão
Finge que nenhum dos dois existe e agora só se ocupa em ser tu mesmo
Abre a porta do teu coração pra ti mesmo
E deixa entrar o violão e suas cordas
Marcel nascimento, 08/06/2012 23:48
Chorando e suspirando melodias do sentimento pedido e encontrado
Ecoando dentre as paredes de si mesmo
E implorando ao mundo sua intenção
Na voz que acompanha, a paixão escancarada
O desejo de idolatrar retorcido e destorcido
O choro de quem ama e busca
A paixão dos olhos interiores
O suspiro doce e rebelde
Ouve a beleza a vida que chama
Atende o desejo do coração
Não se preocupa que as coisas venham
Vai até elas e busca o que esta dentro
Tira o lençol de cima da dor da perda
Coberta como um cadáver esquecido
Reprimida, ignorada e por vezes odiada
Toca o violão de novo e agora conta pra ele que tu chora
Ouve a vida e toca o violão
Finge que nenhum dos dois existe e agora só se ocupa em ser tu mesmo
Abre a porta do teu coração pra ti mesmo
E deixa entrar o violão e suas cordas
Marcel nascimento, 08/06/2012 23:48
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Vem comigo
Vou dormir, vem comigo, vem
Me dá a mão nos sonhos que ainda não sei se vou ter
Continua comigo quando eu encontrar o meu insonciente
Deixa eu te abraçar quando o vento gelado dele soprar
Me faz companhia pro indecifrável que está por vir
Deixa eu compartilhar contigo isso tudo
Vou dormir
Vou dormir agora, madrugada fria de inverno, que tanto gosto
Repouso minha cabeça no travesseiro como se fosse o teu peito
E o cobertor me faz companhia como se tu me abraçasse
Estendo minha mão ao lado da cama vazia e gelada
E aprecio o frio como se curtisse fazer cafuné nas tuas costas
Tu me faz falta por não estar do meu lado
Mas não me deixa sentir incompleto porque estás aqui dentro
Boas Vindas do Blog
Com o coração cheio crio este blog
Para convidar aos amigos nesta viajem pelo lúdico
Oferecendo a casa dos meus pensamentos como um portal do intocável
Ver a mim mesmo é um presente que a vida me deu
Descrever o que vejo é poder repensar tudo
Mesmo que ao final tudo mude e as palavras estejam obsoletas
Afinal, tudo é passado e o passado nunca é obsoleto
Não somos a sucessão de fatos, mas sim dos valores que deles obtemos
Eu, como mero pensador, curvo-me diante da grandiosidade do que é ser humano
E não idolatro a mim mesmo, mas os presentes que recebo
Descrever o que vejo é desabafar
É entrar em contato
É um sentimento de empatia
Também é vaidade, ambição por ser apreciado
É o emaranhado de tudo que representa contatar a si mesmo e ao mundo
Nas estatísticas deste blog talvez me sinta maior se aparecerem números de acesso
Mas só vou me sentir grande quando ver nos olhos de um leitor que através de uma palavra minha ele pode contatar a si mesmo
Boa leitura, meus amigos!
Poetas
eu queria estar agora em uma poltrona
com um copo de uísque na mão
buscando pelas palavras que a sociedade pré validou
trazendo a tona o que as livrarias fervescentes tanto
cobiçam
traçando as linhas do best seller do próximo semestre
ambicionando meu espaço no The New Your Times
balançaria meu copo de uísque com um sorriso sarcástico
no canto da boca
esbanjaria minha autoconfiança de falar o que os outros
querem ouvir
de tocar as pessoas da forma que elas esperam
tocaria os leitores da forma que eles esperam
e logo notaria que na verdade não os toquei
sequer eles entraram em contato comigo ou consigo mesmo
sequer eles entraram em contato comigo ou consigo mesmo
só buscaram palavras quaisquer para fazer
disso seu entretenimento
logo cobiçaria estar no lugar daquele que conversa com as
palavras
que só precisa olhar pra dentro
e entre os sentimentos e imagens do inconsciente e consciente
criativos
conseguem sintetizar eu encanto em palavras e nada mais querem
nada além de ver suas sensações tomando forma através de seus dedos, escritores compulsivos
nada além de ver suas sensações tomando forma através de seus dedos, escritores compulsivos
saindo da sua cabeça e passando perante seus olhos
imaginários
as pessoas leriam e teriam empatia
sentiriam nas palavras aquilo que não esperavam
olhariam a si mesmo em uma ótica inesperada
e então agradeceriam aquele que sequer tinha intenção primária de tocá-las
isso sim é invejável
aqueles que conseguem entrar em contato consigo mesmo
e colocar em palavras o que veem
na verdade, o invejável é os que entram em contato
consigo mesmo
e as palavras são só um instrumento para fazer isso mais
de uma vez, de mais de uma forma
na verdade eu não desejo e não invejo os poetas
porque eu me sinto um deles, mesmo que ninguém leia o que
eu escrevi
Marcel Nascimento 07/06/2012 00:47
Túnel
nota que eu continuo aqui por ti
que o meu coração se abriu
e agora há um túnel
ecoante sobre a rocha bruta
ele segue pra dentro da montanha
seu destino é incerto, é pra dentro
não tem desejo de sair
não tem intenção de ostentar, de ser majestoso
a voz suave da melodia das escalas descontentes se
misturam naquele eco
exala a paixão daquele timbre macio, como um floco de
algodão
floco que com tanta perseverança desliza sobre aquelas
paredes ásperas e relutantes
sem pressa, sem medo, com amor
ele acaricia cada volta
busca a polidez de uma pedra de mármore no granito
calejado pelas mãos do homem
sente o peso da civilização e do ser social
e ainda assim é um apaixonado que não ambiciona mudar o
mundo
e sequer ambiciona mudar aquele túnel
seu eco que circula solitário e sem barreiras
dentre aquele quente espeço gelado
e é o sufiente
ele só queria estar ali e é isso é tudo
Marcel Nascimento 07/06/2012 00:36
Elos de amor
em minha corrente de prata
o pingente que repousa sobre minha mão
me rouba calor com sua preciosidade metálica e ri
caçoa de mim porque cada elo luta por ele
de mãos dadas constroem aquele amor coletivo
e o tem como seu líder querido
se num pescoço balançam
mostram a força da amizade
e cada um, com sua ligação particular com seus vizinhos
roçam suas curvas metálicas e aquecem seu amor
juram amizade mesmo que alguns daqueles laços venham a se romper
em uma maioria, se mantém pra sempre
e mesmo os quebrados ainda continuam interligados
por que cada gap deixado por um romper
é a marca insubstituível de uma relação
Marcel Nascimento 06/06/2012 22:28
Masculino e feminino
O sol esconde o desejo de parar para receber a lua de
braços abertos
Deseja dar uma volta correndo pra ver se esse encontro
acontece
Mas sabe que não pode acabar com a beleza da noite
iluminada que tanto o encanta
O sol queria poder reunir a força do amanhecer com aquele
luar que quase some e deixa tudo escuro
Queria poder contar suas histórias de força nos desertos
e fraqueza nos polos
Queria dizer o quão longe ele já foi em um universo
infinito, viajando à velocidade da luz
E do quanto desejou não ter viajado um quilômetro sequer,
para não perder nem um minuto da noite
Nas horas em que a lua fica cheia, ele ergue seu peito
num suspiro de amor
E quando sua luz é ofuscada pela sobra da terra, suas
lágrimas evaporam em seu núcleo fervoroso
E se um dia a terra resolve fazer um eclipse permanente, o
que seria dele?
E se esse pesadelo não acabasse, o que aconteceria?
Oh ventos, oh ozônio, oh montanhas ou águas geladas do
ártico, o que seria dele?
Como poderia transmitir a vida sem que a sua própria
tivesse um horizonte, um sentido?
Nas manhãs frias ele ilumina as montanhas com calma e
perseverança
Sabe que a noite passou por ali e a lua foi assistida
pelos lobos que, agora aquecidos, uivam
Uivam pela beleza desse equilíbrio e mal sabem que frio e
calor, mesmo que completos, estão separados
O vento sopra montanha abaixo e corre para o mar,
mostrando que a noite vem chegando
E o sol, tímido em seu entardecer, dá espaço à sua bela
O que aconteceria se num gesto de surpresa ele a
abraçasse?
Será que ela pularia de alegria ou que morreria queimada?
O que seria da terra também se os dois fugissem juntos?
Injusto?
Só quem já viveu, ou já estudou a ciência dos astros, tem
a paciência de esperar o momento certo
O dia em que o sol está de pondo e, mesmos assim, a lua
aparece
Tímida, como que ressabiada por tamanha passionalidade
Estão juntos ou separados? - Perguntam-se os peixes, que
nadando ao lago consolidam este por do sol perfeito
Ele só sabem os dois brilham em um mesmo céu, como
resultado do tempo que dosou as coisas
Tempo que trouxe um resultado que nem o sol, nem a lua,
nem os lobos, os peixes ou as montanhas entendem
Eles estão juntos, seja lá como for
Marcel Nascimento - 26/05/2012 01:00
Amor
Que alegria foi olhar nos teus olhos e ver que te
encontrei
Que te vi, com os teus sentimentos e medos
Que medo tive de te perder e que tu evaporasse
Convenci a mim mesmo que tu era real
Te toquei, te senti e nada parecia mudado
Quando finalmente te alcancei dentro de mim, tesão senti
pela tua pessoa, logo pelo teu corpo
A mão que antes acariciava fechada agora abriu-se
E, através do tato, senti as municias da tua uma
personalidade
A confusão dessa vez foi que, ao te ter, não sabia se te
tinha
Aproximei-me como que um filho que repousa a cabeça sobre
sua mãe
Coloquei na tua mão a luz do meu desejo e da minha
afeição
E, sem saber, neguei a possibilidade de não te ter
Ah, lembranças do recado de amor escrito em nosso
reencontro!
A mensagem de amor conturbado e desesperado que teu dedo
sarcástico escreveu no vidro do carro
Até agora me gera inveja daquele vidro, pois a partir da
ponta do teu dedo, alcançou mais de perto este teu sentimento
Fiquei firme numa reciprocidade
Ignorei, em meus pensamentos, quem e o que em real nos
afastava
Que felicidade eu inventei pra mim mesmo, podendo amar-te
assim!
Te vi com toda magia com a qual te reconstruí dentro de
mim
Contemplei-te talvez pela primeira vez e desejei tua
boca, teu eu
Permiti que esse desejo me completasse e me tocasse a
alma
E este foi o momento triste, pois foi então te vi ir
embora
Não como o gelo seco que vira fumaças
Mas como o carvão que, mantendo sua forma, em brasa se
desfaz
E quanto mais o tocamos, mais ele se desfaz ante os olhos
Teu olhar e teus risos sínicos se confundem
Mesclam tuas mágoas das quais tenho culpa, com o
sentimento de amor
Sentimentos que, à medida que me aproximei, mais tu
começou a econder
E novamente estávamos em momentos diferentes
Agora, quando o dia nascia para mim em raios coloridos da
primavera
Brilhava em teu jardim de inverno um sol do entardecer de
outono
E me culpando por te desejar só para mim, desejei que a
primavera não tivesse chegado
Com a glória de alguém que foi tocado pelo teu amor
Eu poderia iluminar tua casa que sempre esteve aberta e
nunca recebeu minha luz
Poderia entrar pela janela e alcançar cada ponto das costuras
do sofá da tua sala
Que por tanto tempo esteve esperando pelo conforto de uma
alma, que acabou por não ser a minha
Eu, em fim, não me culpo por não ter amado
E não me culpo por não ter te ouvido, pois te ouvi, só
não te endendi
Também não me culpo por não ter entendido, porque eu me
questionei
E na medida em que as respostas chegam, tuas palavras
voltavam a ecoar na minha cabeça
Elas perseguem os desejos que agora existem e o acusam
Concretizam-se em espíritos de luz, que por estas horas
se transformam em fantasmas na escuridão da tua ausência
E aí eu vi que te escutei, pois tudo está lá, pois tu
está lá, agora transformado em dor
Se eu amei, não sei, acho que sim
Se eu te tive, isso nunca e esse é meu lamento
Não fui dono dos meus desejos e tão pouco dos teus que um
dia tu me entregou
Só fui um espectador, um crente com uma vela acesa entre
os dedos
Que entrou na igreja querendo juntar a chama de duas
velas
E viu o vento do seu próprio vulto apagar outra
Marcel Nascimento - 26/05/2012 00:44
Afeição
Porque foi no teu abraço que encontrei abrigo
Mas não foi no teu beijo que meu corpo explodiu
Porém foi este beijo o único a vir de minh'alma
E foi nele que encontrei as poucas pegadas que o amor deixou
Estas pegadas sigo incessantemente
Algo as apaga e as rouba de mim
E fico como uma ave migratória, sem orientação
Vagando por areias brancas desconhecidas
E seguindo instintos que nem eu mesmo acredito estarem certos
Tu entra na minha vida e faz florecer dentro e mim uma flor não catalogada
Despara todos meus sentidos em vetores contraditórios e me confunde com o teu poder de amar
Bagunça com minhas percepções e tenta me fazer entendê-las
Eu, tal qual um animal assustado, fico em fim, sem entender nada
Sem poder me elevar ao teu grau de doação
Não me rouba um beijo, mas sim iniciativa de roubá-lo
Me faz procurar tua boca antes que eu perceba o que estou fazendo
Sem um estímulo físico, me causa sabe-se lá que tipo de atração sei lá vinda de onde
Me atrai como um ima quando eu ainda não conhecera magnetismo
E rouba de mim a mais pura afeição, ainda que encoberta, velada
Afeição, como poderia explicar este sentimento?
Vago dentro da nuvem turbulenta dos meus sentimentos
Dentre os ciclos de ventos que se opõem
Dentre os trovões que se assemelham a explosões de sentimentalidade
Embora não passem de desacargas de energia
E os ventos sim, estes são reais!
O vento é como a fé, que não podemos ver e não podemos tocar
Mas no entanto ele me tocou sem que eu realmente o conhecesse
Tu soprou no meu ouvido e eu sequer soube escutar
Porque? Por que eu não acordei pra vida antes?
Porque não pude ter empatia com quem me ensinou a amar?
Como é difícil te ter longe!
A vida é difícil e tu faz parte da minha.
Marcel Nascimento - 25/05/2012 17:00
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