quinta-feira, 21 de junho de 2012

Futuro Cigano


O passado me sorriu e piscou o olho
Soprou sua ironia nem tanto sutil
Com olhares de dúvida, colocou o baralho sobre a mesa e pediu que eu tirasse uma carta
Estava eu ali em sua tenda cigana
Cheirando aquele mesmo incenso de eucalipto queimado
Cheiro duvidoso, que pode me lembrar de um incêndio e o perfume que eu mais gosto de usar
Ele estende sua mão enrugada e pede a minha
Aquele sorriso eu já conheço, aberto de ponta a ponta
O sorriso previsível da imprevisibilidade, ah que engraçado

A ponta do seu dedo faz cócegas sobre as linhas da minha mão
Pergunto o que ele está lendo e ele não me diz
Não quer roubar de mim a graça da descoberta
Só quer buscar com aqueles dedos finos, longos e mornos a memória do meu destino
Não se importa com meu ceticismo
Ele é eu e eu o criei
Ele é o vento que bate na minha porta e a faz vibrar
É o personagem que eu mesmo crio com minhas lembranças
Ainda assim, tem seu charme
Pois, o dia que este charme for perdido
Eu terei me perdido dentro de mim e me sentirei morto

Marcel Nascimento 21/06/2012 23:15

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