sábado, 9 de junho de 2012

A valsa da Bohème


A mão do pianista convidou o piano para dançar uma valsa
O convenceu que agora não era mais um intrumento de percussão
E entre as melodias entrelaçadas de Puccini criou um entrada sensual
Agora estendia o tapete vermelho para da dama ousada se fazer cobiçada
Abraçou aquela voz leve e ainda escura
Deslisou com ela dentre as linhas do libretto que agora era embalado

Os pingos de SI natural caem como gotas no chão do bar-café
Instigaram os ouvidos da moça
Naquele legato suspirante, agora ela alça sua voz com graça, como que um balanço infinito
"La gente sosta a mira"
Até que o último SI Natural seja uivado, quase como um orgasmo egocêntrico

O barítono abraça aquela melodia com alegria
E naquela felicidade, dispensa o fato de que foi feita pra soprano
Ele e a melodia rolam na grama e também uivam, nota por nota
Pra que se preocupar com o mundo quando se pode cantar para ele?

O amor é viral
E agora aquelas teclas que timidamente estenderam a mão ao pianista
Contagiaram a todos e não há mais volta

Um comentário:

  1. Muito bom, Marcel, siga em frente...vejo nascer um grande poeta. Bjussss, Denise.

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