eu queria estar agora em uma poltrona
com um copo de uísque na mão
buscando pelas palavras que a sociedade pré validou
trazendo a tona o que as livrarias fervescentes tanto
cobiçam
traçando as linhas do best seller do próximo semestre
ambicionando meu espaço no The New Your Times
balançaria meu copo de uísque com um sorriso sarcástico
no canto da boca
esbanjaria minha autoconfiança de falar o que os outros
querem ouvir
de tocar as pessoas da forma que elas esperam
tocaria os leitores da forma que eles esperam
e logo notaria que na verdade não os toquei
sequer eles entraram em contato comigo ou consigo mesmo
sequer eles entraram em contato comigo ou consigo mesmo
só buscaram palavras quaisquer para fazer
disso seu entretenimento
logo cobiçaria estar no lugar daquele que conversa com as
palavras
que só precisa olhar pra dentro
e entre os sentimentos e imagens do inconsciente e consciente
criativos
conseguem sintetizar eu encanto em palavras e nada mais querem
nada além de ver suas sensações tomando forma através de seus dedos, escritores compulsivos
nada além de ver suas sensações tomando forma através de seus dedos, escritores compulsivos
saindo da sua cabeça e passando perante seus olhos
imaginários
as pessoas leriam e teriam empatia
sentiriam nas palavras aquilo que não esperavam
olhariam a si mesmo em uma ótica inesperada
e então agradeceriam aquele que sequer tinha intenção primária de tocá-las
isso sim é invejável
aqueles que conseguem entrar em contato consigo mesmo
e colocar em palavras o que veem
na verdade, o invejável é os que entram em contato
consigo mesmo
e as palavras são só um instrumento para fazer isso mais
de uma vez, de mais de uma forma
na verdade eu não desejo e não invejo os poetas
porque eu me sinto um deles, mesmo que ninguém leia o que
eu escrevi
Marcel Nascimento 07/06/2012 00:47
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