Que alegria foi olhar nos teus olhos e ver que te
encontrei
Que te vi, com os teus sentimentos e medos
Que medo tive de te perder e que tu evaporasse
Convenci a mim mesmo que tu era real
Te toquei, te senti e nada parecia mudado
Quando finalmente te alcancei dentro de mim, tesão senti
pela tua pessoa, logo pelo teu corpo
A mão que antes acariciava fechada agora abriu-se
E, através do tato, senti as municias da tua uma
personalidade
A confusão dessa vez foi que, ao te ter, não sabia se te
tinha
Aproximei-me como que um filho que repousa a cabeça sobre
sua mãe
Coloquei na tua mão a luz do meu desejo e da minha
afeição
E, sem saber, neguei a possibilidade de não te ter
Ah, lembranças do recado de amor escrito em nosso
reencontro!
A mensagem de amor conturbado e desesperado que teu dedo
sarcástico escreveu no vidro do carro
Até agora me gera inveja daquele vidro, pois a partir da
ponta do teu dedo, alcançou mais de perto este teu sentimento
Fiquei firme numa reciprocidade
Ignorei, em meus pensamentos, quem e o que em real nos
afastava
Que felicidade eu inventei pra mim mesmo, podendo amar-te
assim!
Te vi com toda magia com a qual te reconstruí dentro de
mim
Contemplei-te talvez pela primeira vez e desejei tua
boca, teu eu
Permiti que esse desejo me completasse e me tocasse a
alma
E este foi o momento triste, pois foi então te vi ir
embora
Não como o gelo seco que vira fumaças
Mas como o carvão que, mantendo sua forma, em brasa se
desfaz
E quanto mais o tocamos, mais ele se desfaz ante os olhos
Teu olhar e teus risos sínicos se confundem
Mesclam tuas mágoas das quais tenho culpa, com o
sentimento de amor
Sentimentos que, à medida que me aproximei, mais tu
começou a econder
E novamente estávamos em momentos diferentes
Agora, quando o dia nascia para mim em raios coloridos da
primavera
Brilhava em teu jardim de inverno um sol do entardecer de
outono
E me culpando por te desejar só para mim, desejei que a
primavera não tivesse chegado
Com a glória de alguém que foi tocado pelo teu amor
Eu poderia iluminar tua casa que sempre esteve aberta e
nunca recebeu minha luz
Poderia entrar pela janela e alcançar cada ponto das costuras
do sofá da tua sala
Que por tanto tempo esteve esperando pelo conforto de uma
alma, que acabou por não ser a minha
Eu, em fim, não me culpo por não ter amado
E não me culpo por não ter te ouvido, pois te ouvi, só
não te endendi
Também não me culpo por não ter entendido, porque eu me
questionei
E na medida em que as respostas chegam, tuas palavras
voltavam a ecoar na minha cabeça
Elas perseguem os desejos que agora existem e o acusam
Concretizam-se em espíritos de luz, que por estas horas
se transformam em fantasmas na escuridão da tua ausência
E aí eu vi que te escutei, pois tudo está lá, pois tu
está lá, agora transformado em dor
Se eu amei, não sei, acho que sim
Se eu te tive, isso nunca e esse é meu lamento
Não fui dono dos meus desejos e tão pouco dos teus que um
dia tu me entregou
Só fui um espectador, um crente com uma vela acesa entre
os dedos
Que entrou na igreja querendo juntar a chama de duas
velas
E viu o vento do seu próprio vulto apagar outra
Marcel Nascimento - 26/05/2012 00:44
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